Com que tipo de restrições o APS pode tratar?

Neste artigo, Augusto Pretto, sócio consultor da NEO, fala sobre como sistemas produtivos reais estão sujeitos a inúmeras restrições que impactam diretamente no planejamento e no sequenciamento da produção. Por isso, a consideração dessas restrições é fundamental para gerar planos viáveis e eficientes. Conheça todas as restrições no artigo!

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April 28, 2025
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Com que tipo de restrições o APS pode tratar?

Um sistema produtivo real está sujeito a inúmeras restrições que impactam diretamente no planejamento e no sequenciamento da produção. Quando falamos em sistemas APS (Advanced Planning and Scheduling), especialmente naqueles focados no sequenciamento fino, a consideração dessas restrições é fundamental para gerar planos viáveis e eficientes.

O Opcenter APS, software de sequenciamento da Siemens, permite a construção de modelos que tratam uma ampla gama de restrições, como:

  • Restrições de Materiais
  • Restrições de Roteiro e Recursos Válidos
  • Restrições Secundárias
  • Restrições Avançadas de Recursos
  • Restrições de Dependência entre Operações Pai e Filha
  • Restrições de Movimentação, Espera ou Transporte

A seguir, detalhamos as principais categorias:

Restrições de Materiais

O planejamento de produção precisa contemplar a disponibilidade real de materiais. Caso contrário, ordens planejadas sem visibilidade adequada dos estoques correm risco de ruptura iminente.

O Opcenter APS considera diferentes fontes de materiais:

  • Estoques disponíveis no período atual;
  • Pedidos de compra - já vinculados a fornecedores;
  • Solicitações de compra - ainda não vinculadas (documentos internos).

Além disso, é possível:

  • Definir depósitos prioritários;
  • Vincular estoques a centros de trabalho específicos;
  • Restringir o consumo baseado em qualidade do material, fornecedor ou lote.

Exemplo prático:
Na indústria têxtil, é comum exigir que todas as ordens de produção de um mesmo pedido consumam o mesmo lote de fio para garantir uniformidade na tonalidade das peças. Mesmo que o SKU e a cor sejam iguais, pequenas variações no tingimento podem comprometer a qualidade do produto final.

O Opcenter APS permite diferentes níveis de risco no planejamento:

  • Mais conservador: Sequenciar apenas com materiais em estoque.
  • Moderado: Incluir pedidos de compra com margens de segurança.
  • Simulado: Ignorar faltas para analisar o potencial produtivo pleno da planta.

Essa flexibilidade suporta simulações, benchmarking interno e decisões estratégicas.

Forma

Restrições de Roteiro e Recursos Válidos

O roteiro produtivo descreve as etapas que um material percorre até se transformar em produto acabado ou semiacabado. Idealmente, cada Part Number (SKU) possui seu roteiro cadastrado no ERP, que é o sistema mestre (System of Record).

No Opcenter APS:

  • Roteiros podem ser importados do ERP ou, em casos específicos, cadastrados diretamente.
  • Centros de trabalho são atribuídos conforme o roteiro, restringindo onde cada operação pode ocorrer.

Complementarmente, o APS permite:

  • Restringir centros de trabalho com base em atributos do produto (cor, tipo de material, etc.);
  • Personalizar roteiros de forma ágil para simulações e análises de viabilidade, sem afetar o ERP.

Essa capacidade é essencial para indústrias que precisam simular cenários de planejamento e programação da produção rapidamente, adequando roteiros e alocação de recursos de maneira dinâmica.

Forma

Restrições Secundárias

Sistemas produtivos reais estão sujeitos a inúmeras outras restrições além da capacidade dos chamados recursos primários (máquinas, centros de trabalho, linhas de produção). Entre essas restrições adicionais, podemos citar:

  • Mão de obra específica;
  • Energia elétrica disponível;
  • Ferramentais, moldes, matrizes;
  • Recursos auxiliares compartilhados.

Essas são chamadas de restrições secundárias no Opcenter APS. Ou seja, qualquer outro elemento que impacta a capacidade do sistema produtivo. Dessa forma, os modelos criados a partir do APS, em projetos implementados pela NEO Digital Industries, contemplam a possibilidade de configurar essas restrições, conferindo ao modelo alta acurácia e realismo.

Exemplo prático:
Imagine uma fábrica hipotética F, com 3 máquinas disponíveis 5 dias por semana, 8 horas por dia, totalizando 120 horas semanais de capacidade.  

A demanda do produto A é de 100 horas, podendo ser processado em qualquer máquina. Contudo, o produto A exige a utilização da matriz X — e a fábrica dispõe de apenas 2 matrizes X, o que restringe a capacidade disponível para 80 horas.

Ou seja, mesmo havendo capacidade nominal de máquina suficiente, o gargalo da matriz impede o atendimento pleno da demanda.

Com o Opcenter APS, é possível modelar essas restrições e gerar planos e sequenciamentos realmente aderentes à realidade da fábrica.

Forma

Outras Restrições Avançadas

O módulo de sequenciamento do Opcenter APS também trata restrições mais complexas, como:

  • Sincronismo de ordens de produção (operações dependentes);
  • Paralelismo controlado entre centros de trabalho;
  • Movimentações entre áreas produtivas, considerando:
  • Tempos de transporte,
  • Tempos de espera obrigatória,
  • Restrições de capacidade logística.
  • Restrições de lote mínimo ou máximo;
  • Restrições de calendários e turnos personalizados.

Essas funcionalidades permitem que o modelo de fábrica no APS reflita com precisão o ambiente produtivo real, suportando decisões rápidas, inteligentes e factíveis.

Conclusão

O Opcenter APS não apenas considera restrições básicas de materiais e roteiros, mas também integra funcionalidades avançadas que permitem:

  • Modelar restrições secundárias e auxiliares,
  • Simular diferentes níveis de risco,
  • Otimizar o sequenciamento com base na realidade específica de cada operação.

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