A Programação Autónoma e as Cascas do Processo

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February 3, 2022
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A Programação Autónoma e as Cascas do Processo

Começo este texto com uma frase do guru Lean Shigeo Shingo que é, no mínimo, engraçada:

“Quando você compra uma banana, tudo o que você quer é a fruta e não a casca. Porém, você tem de pagar pela casca da mesma maneira. A casca é uma perda e o consumidor não deveria pagar por essa perda.”

Shingo era tão obstinado por reduzir perdas que conseguia identificá-las até em objetos da natureza que vemos todos os dias. Esse olhar deve ser uma habilidade que todo engenheiro de produção deve procurar desenvolver. E quando falamos de processos de planeamento e programação não é diferente. Em cadeias de abastecimento mais robustas e já adaptadas ao APS (Advanced Planning and Scheduling), o processo de sequenciamento da produção pode tornar-se um processo quase burocrático para o key-user. Importa ressaltar que aqui falamos de empresas cujo processo está extremamente estruturado. Por exemplo, empresas que geram diversos cenários de programação, sem intervenção manual, e a escolha de qual cenário seguir é decidida com base em diversos indicadores chave. Por esse processo estar tão bem consolidado e padronizado, podemos configurar a solução APS para executar uma nova programação automaticamente. Porém, a periodicidade da reprogramação é um assunto muito particular de cada empresa, pois aqui tratamos de um trade-off muito importante para o sistema produtivo: a discussão entre responsividade e rigidez. O ponto ótimo entre estes dois fatores deve ser muito bem pensado. Se caminhamos para um lado muito responsível, isto é, em que podemos alterar a programação no curtíssimo prazo, corremos o risco de deixar a produção com pouca confiança para planear a execução das ordens. Se caminhamos para um lado muito rígido, ou seja, em que reprogramamos com pouca frequência, corremos o risco de desnortear a produção e não reajustar a programação a tempo. Encontrar este sweet spot é um tema bem amplo e talvez o mais desafiador ao implementar uma solução de programação autónoma. Agora, uma vez encontrada a cadência ideal de reprogramação, temos diversos ganhos. O primeiro (e mais óbvio) é o ganho de tempo do utilizador para o acompanhamento e melhoria do processo de programação. Segundo, a padronização do processo é intensificada e dá mais previsibilidade à produção e às demais áreas de apoio. Outro ganho é a adaptabilidade da programação aos eventos externos e aos seus impactos de forma mais ágil. Todos esses ganhos são sempre originados por um olhar inquieto sobre o processo. Nunca esqueça de que podemos melhorar a maneira como fazemos as nossas atividades. Shingo conseguiu até reclamar da maneira como a natureza “produz” as bananas, então não há limites para olharmos para as perdas do nosso dia a dia. Gostou? Conte-nos quais são as “cascas de banana” que reparou no seu negócio hoje.

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