Como a Metalúrgica Fey reduziu o WIP em 35% e comprimiu o ciclo de planeamento de 3 dias para 3 horas, e em seguida adicionou agentes de IA sobre essa base
A Fey é um dos maiores fabricantes de fixadores do Brasil, com mais de 5.000 artigos MTS, 3.000 artigos MTO, 200 recursos produtivos e cerca de 400 ordens semanais. O estrangulamento estava no planeamento: lento, desconectado da execução e incapaz de simular o que estava para vir.

Conheça a metalúrgica FEY, um dos maiores fabricantes de fixadores do Brasil há 60 anos
A empresa
Fundada em Indaial (SC), a Fey é um dos maiores fabricantes de fixadores do Brasil. O seu complexo industrial de 47.000 m² alberga cerca de 700 colaboradores e tem uma capacidade mensal de produção de 60 milhões de peças. O portefólio inclui porcas, parafusos, abraçadeiras, acessórios para tubos e mangueiras e peças especiais, servindo os setores automóvel, agrícola, de tratores e motociclos no Brasil e em toda a América Latina.
A complexidade operacional é substancial: mais de 5.000 artigos MTS, mais de 3.000 artigos MTO, mais de 200 recursos produtivos e uma procura semanal de aproximadamente 400 ordens de produção, equivalentes a cerca de 500 toneladas.
O desafio
Antes do NPLAN, o planeamento da Fey tinha limitações estruturais que restringiam tanto a velocidade como a qualidade das decisões:
- O ciclo de planeamento demorava até 3 dias a ser executado
- O S&OP e a programação da produção estavam desconectados, sem um modelo sincronizado entre ambos
- A simulação de cenários não era viável na prática
- A saúde dos stocks estava comprometida, com excesso e rutura a coexistirem no mesmo portefólio
- Os níveis de WIP eram elevados, sinalizando um desalinhamento entre o plano e a execução
O resultado era um ciclo lento de revisão que deixava a operação exposta a variações de procura e a alterações de produção que não conseguia antecipar nem responder rapidamente.
A solução
A implementação do NPLAN estruturou uma camada integrada de planeamento que liga o S&OP, o MPS, o planeamento de materiais e a capacidade de produção, totalmente integrada no SAP S/4HANA. A integração abrangeu materiais, recursos, roteiros, listas técnicas, ordens de produção, encomendas de venda e planos de venda.
O projeto decorreu durante quatro meses, em ciclos iterativos com validação frequente entre as equipas de Logística, Planeamento, Produção e Tecnologia da Fey e a equipa de implementação do NPLAN. As decisões foram tomadas em conjunto, através de análises operacionais, indicadores e simulações comparativas.
Principais elementos técnicos e metodológicos:
- Integração com o SAP S/4HANA abrangendo todos os objetos relevantes de planeamento, sem pontes manuais de dados nem folhas de cálculo paralelas.
- Parametrização de políticas de stock com critérios de priorização por canal e família de produto, substituindo decisões ad hoc por uma lógica estruturada.
- Estruturação de cenários que permite simulações multivariáveis que consideram simultaneamente a procura, a capacidade de produção, as políticas de stock e os parâmetros operacionais.
- Rondas iterativas de teste (unitário, avançado e integrado) com revisão contínua de parâmetros, homologação operacional e acompanhamento de KPIs ao longo de todo o projeto.
Os resultados
O que mudou na prática
O ciclo de planeamento deixou de ser o estrangulamento
Um processo que antes demorava três dias, agora é executado em três horas. A equipa passou de uma fase de execução do plano para uma fase de análise e tomada de decisão.
S&OP e programação da produção interligados
Anteriormente, o plano tático e a programação de fábrica viviam em realidades distintas. Com o NPLAN, o plano de produção tornou-se mais realista e diretamente ligado ao sequenciamento, reduzindo a discrepância entre o planeado e o executado.
A simulação de cenários tornou-se viável
A capacidade de simular cenários multivariáveis de procura, capacidade, política de stock e parâmetros operacionais alterou a forma como a equipa de planeamento da Fey toma decisões. A equipa compara agora alternativas e escolhe o melhor caminho, em vez de reagir a imprevistos.
A saúde dos stocks melhorou significativamente
Com políticas estruturadas e um modelo de planeamento conectado, a Fey eliminou a coexistência anterior de excesso e rutura. O stock de WIP caiu 35%.
A evolução de 2026: Agentes de IA
Com a plataforma de planeamento estabilizada, a Fey e a NPLAN avançaram para a fase seguinte e introduziram agentes de IA na rotina de planeamento.
A arquitetura opera em três camadas. Na base, o SAP S/4HANA permanece como sistema transacional e fonte de dados. Na camada intermédia, o motor de cálculo do NPLAN executa a otimização, a explosão de MRP e a validação do plano. No topo, modelos de linguagem interpretam pedidos, explicam resultados e orquestram interações entre agentes.
A configuração inclui agentes especialistas, como um agente de stocks dedicado, e um agente orquestrador que coordena as interações entre eles para compor análises e responder a necessidades operacionais. Um caso de uso concreto é a comparação multicenário, em que o orquestrador interage com o agente especialista em stocks para apresentar opções, explicar trade-offs e apoiar a decisão.
Segurança por design
O conjunto operacional completo da Fey não é enviado para os modelos de IA. As interações utilizam apenas amostras de dados, preservando a confidencialidade da base operacional.
Resultados concretos
- -35% no stock de WIP
- Ciclo de planeamento reduzido de 3 dias para 3 horas
- Expansão expressiva da capacidade de simulação para apoio à decisão
- Mais tempo disponível para a equipa analisar e identificar oportunidades
- Evolução da maturidade analítica e de decisão das equipas
- Plano de produção mais realista e conectado ao sequenciamento
- Maior integração entre planeamento e execução
- Maior fiabilidade dos dados de planeamento
- Melhoria na governação da Supply Chain
A transformação da Fey resultou da integração entre tecnologia, processos e colaboração entre áreas. Uma vez consolidada esta base, foram adicionados agentes de IA para ampliar a capacidade analítica e a velocidade de resposta, mantendo o motor de planeamento no centro de cada cálculo.
A sequência foi o que garantiu o sucesso: primeiro um plano viável e conectado, depois inteligência analítica construída sobre o mesmo.
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